in Cartas abertas

Eu também

Ontem, assisti a um filme brasileiro independente. Sem grande orçamento para contratação de profissionais para todas as etapas de produção, um filme amador. Cortes visíveis, iluminação sem tratamento, cenas que aparentam ter sido gravadas uma única vez. Porém, não achei de todo ruim. Aproveitei muita coisa do roteiro e das características dos personagens.

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A história foca na vida de Clara. Estudante de medicina, não sabe o que quer da vida, não vai às aulas, não consegue nem enfrentar o ficante/namorado para terminar a relação e só ignora as ligações. Vai que ele cansa de ligar e percebe que terminamos, né? Em casa, a situação está estranha com a volta repentina dos pais, separados há anos. Com a ajuda do Gui, estudante de letras e que sabe mais ou menos o que quer da vida, desenvolve a ideia de experimentar caminhos. Tentando encontrar um rumo, Clara começa a conversar com os tios. Nessas conversar, acaba consertar muita coisa de errado na vida deles e absorve ensinamentos para a própria vida. O nome do filme? “Eu não faço a menor ideia do que estou fazendo com a minha vida”.

Tenho um “Q” de Clara, mas não parei tudo o que estou fazendo. Não desisti das minhas aulas, não deitei na grama para ver o mundo girar. Continuei indo, com dúvidas mesmo, me perguntando se essa trilha é a certa e em que lugar ela vai dar. Com dúvidas, com medos e pensamentos que não contribuem em nada para uma vida tranquila. Dá vontade de me esconder em um buraco? Dá. Ficar escondido até o tempo passar, as dúvidas sumirem e o medo aliviar? Dá.

Viver é isso. Arrastar o corpo contra aquela maré de coisas que te deixam pra baixo, com medo. Contra aquela onda de incertezas que aparecem para rir da sua cara. Mesmo sem saber o que fazer, o importante é seguir em movimento. Não se iludir com a ideia de que ficar esperando parado fará as coisas se resolverem. Depois de estagnado, fica difícil voltar sem ajuda.

Em um discurso recente, Jim Carrey falou (entre muitas coisas fantásticas) o seguinte trecho sobre o medo:

Fear is going to be a player in your life, but you get to decide how much. You can spend your whole life imagining ghosts, worrying about your pathway to the future, but all there will ever be is what’s happening here, and the decisions we make in this moment, which are based in either love or fear.

“Vai. E se der medo, vai com medo mesmo”.

As incertezas sobre o futuro são muitas, e sempre estarão presentes, mas tento pensar o mínimo possível sobre elas. Por quê? Porque assim elas terão menos poder sobre mim, se tornando insignificantes. Don’t stop moving e, também, não deixe que se apossem de você. E, bem, você nunca terá um bom amanhã se o seu hoje for uma merda, né?

Fotografia: moving on… por Eliza Frydrych