in Cartas abertas

Fica mais um pouquinho?

Me despedir de um ano está cada vez ficando mais difícil. No post dizendo adeus para 2013, resumi o ano como sendo excelente e com ótimos momentos. Não queria repetir a mesma coisa, mas 2014 foi igualmente amazing. Até melhor. Há exatos dois anos, toda a minha percepção do que quero e de quem sou vem mudando. Eu já disse isso, mas o mais incrível é perceber essa mudança conforme ela passa.

Esse foi o meu último ano de faculdade. Terminei Biomedicina e consegui passar em um mestrado que queria. Genética, lá em São Paulo. O processo todo de inscrição e provas foi acompanhado com ansiedade e a incerteza se passaria ou não. E se não desse certo? Teria que trabalhar, mas em que lugar? Conseguiria um emprego? Tentaria mestrado de novo na próxima oportunidade? Acabei passando por todas as etapas. Não foi lá numa classificação muito boa, mas passei.

Voltando no tempo. Já comecei a sofrer de ansiedade com a faculdade no início do ano. Claro que ficou pior na metade, com o último período, as fotos para a formatura, os planos do que fazer em 2015. Eu precisava focar no mestrado, meu plano A. Todo o processo começou com a procura de um orientador. Sem ele, não poderia me inscrever. Encontrei e marcamos um estágio de duas semanas para que eu conhecesse a área e ele me conhecesse. Ficou para agosto, lá em São Paulo. Nisso eu já sabia que ia para a Bienal do Livro. E sabia que ia ter um congresso de Genética depois. Deu pra juntar tudo. Viajei o mês todo de oeste a leste.

Vloggers | Bienal de São Paulo

Vloggers | Bienal de São Paulo

Os primeiros vinte dias de agosto passei fazendo o estágio. A melhor parte veio depois. A viagem para a capital rumo a um dos maiores eventos SOBRE LIVROS que eu já fui. Bienal do Livro de São Paulo. Eram tantos sentimentos, empolgado talvez seja a melhor palavra pra descrever como me senti. Revi tantos amigos e conheci tantas pessoas! Fui reconhecido inúmeras vezes por causa do Show do Luan. Tirei fotos e abracei. Sorri e desidratei. Conheci um carinho tão intenso e palpável, que eu não conseguia ter ideia da existência apenas pelos feedbacks virtuais. Entendi que o que faço afeta mais pessoas do que eu imaginava. Foi um dos insights do ano. Agosto foi tão especial (já seria, por causa do meu aniversário) que me senti ganhando presentes todos os dias.

Demons

Demons

Esse ano também rendeu boas fotografias, mas foi razoável. Mesmo não fazendo tudo o que tinha planejado, consegui resultados inesperados. Com o processo do mestrado, tudo ficou em stand-by forçado, mas a mente continuou trabalhando procurando formas de melhorar. Já está acertado a necessidade de encontrar um estilo, uma identidade para o que eu faço (escrita também). E também está decidido que tudo será com um passo de cada vez. “O importante é a viagem, não o destino”, certo?

O Show do Luan também passou por ótimos momentos. Teve mês com vídeos todos os dias, o que foi uma loucura. Fazer o VEDA em Abril foi uma experiência divertida e exaustiva. O canal cresceu muito naquele mês. 2014 fica marcado como o ano em que atingi mais de 100 vídeos publicados, 10.000 pessoinhas e 2 anos de existência. Muito amor. Só faltou mais conteúdo, my bad.

Por fim, o blog. Não teve tantos posts quanto eu gostaria, mas acho que escrevi bons textos e contos. Esses dias estava relendo o que está publicado há algum tempo e, minha surpresa, continuo gostando do que escrevi. E é isso o que eu quero. Talvez seja essa a razão da produção ser lenta. Um passo por vez². Meu texto com melhor feedback é o Aprendi e, meu conto, o Rachaduras. Dois textos que são importantes pra mim. Todos são, na verdade.

Teve lágrimas e momentos tensos? Claro que sim. Muitas vezes senti angústia e pensei em desistir. Dias em que nada estava bom, me sentindo um lixo e me perguntando a razão de tudo isso. Não desisti de mim e passou. Sorri mais uma vez e continuei caminhando. Agora esses momentos ruins não têm mais tanto peso. Em retrospectiva, não são deles que lembro primeiro. E, se lembro, a certeza é de que cada um contribuiu para uma melhora em mim depois.

Lembro dos sorrisos e abraços que recebi de amigos, pessoas virtuais que assumiram corpos palpáveis e gostosamente abraçáveis. Dos coraçõezinhos que fiz com as mãos e dos pães sem queijo que comi no café da manhã. Lembro disso todos os dias, como algo adquirido desde 2013. É tão mais fácil se deixar afetar pelos podres que a vida põe no caminho. Tão mais fácil permitir reviver as falhas e angústias, focar no lado degradante. Em um texto meu de 2013, o Tentar de novo, eu queria “pensar nas qualidades com a mesma intensidade que a mente insiste em reviver os defeitos”. Eu queria pensar nas coisas boas do mesmo jeito que fui condicionado a aceitar os pensamentos negativos. Como um exercício, acho que consegui, porque é isso que estou fazendo nos dois últimos anos.

Como dizer adeus pra um ano que propiciou tantas oportunidades para abraçar, sorrir, me apaixonar e crescer, avançando no joguinho da autodescoberta? Seria mais difícil fazer se não houvesse a certeza de que o próximo ano será ainda melhor. Obrigado por você fazer parte dele.