in Contos e Crônicas

Suportável

Para onde correr quando o que atormenta está dentro da cabeça? Quando a dor é no peito, irradiando até chegar aos olhos, assumindo forma física? A quem recorrer quando a única coisa que se tem por perto é o travesseiro para abraçar e as incertezas para acalmar?

O que fazer quando a única solução é chorar até que tudo termine? Até que o corpo desabe e a mente sossegue. Até que o ambiente escureça e os sonhos avancem, despreocupados, alimentando a vontade de fazer o imaginário durar para sempre.

Como fazer o tempo acelerar tão rápido que o que dói fica pra trás e o que vai é a certeza de que tudo ficará bem? Como ver essa certeza no meio das sombras, do choro e do medo? Como deixar o processo suportável?

Como proteger o que fica? Como salvar o futuro rasgado e amassado, jogado no canto gelado junto com o corpo encolhido? De que forma se proteger do frio quando todas as roupas parecem não ser suficientes?

Como juntar forças para se arrastar até o banheiro, equilibrar-se na pia e encarar o espelho, balbuciando ilusões até que tudo fique bem? Como acreditar no tudo ficará bem?

Quando o suportável começa?

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