in Contos e Crônicas

Por favor

Quando for entrar, tire os sapatos. Deixe a sujeira do lado de fora e só traga os caminhos pelos quais seus pés passaram. Me mostre as experiências guardadas na mochila. Aos poucos, me deixe expor as cicatrizes talhadas no peito. Ria comigo transformando as sombras em ecos insignificantes.

Sente próximo à mesa, aceite o ritmo da música e me ajude a criar um mosaico com os fragmentos de quem eu costumava ser. Me ajude a trazer calor para um cômodo que só se conhecia gelado. A plantar uma nova semente em um terreno que sofre a cada chuva que passa. A esperar pelo cantar dos pássaros ao invés do grito desesperado do vento forte na janela.

Deite no meu peito, explore o céu estrelado ao som de um coração cansado. Me permita desvendar seus segredos, mergulhar em seus sorrisos e ouvir os sussurros de suas intenções. Entenda minhas angústias, me abrace apertado e sinta o mundo parado enquanto o que há além de nós dois some numa perfeita ilusão.

Por favor, só peço que, quando entrar, não faça uma bagunça difícil de arrumar.

Gostou desse texto? Ajude compartilhando nas redes sociais.
Você pode assinar minha newsletter também. Saiba mais clicando aqui.

Imagem: David DeHetre