Completo #5

Oi, meu nome é Luan.

E a relação com as pessoas continua fazendo parte dos meus pensamentos diários. É difícil lidar com os espaços nos sofás.

Como vocês estão? O que essa metade de setembro trouxe pra vocês? A newsletter de hoje é tão introspectiva quanto a anterior. Tentei fazer mais leve, espero ter conseguido. Cai em um ponto de autoanálise e todos os meus textos até agora são monólogos sobre o que eu penso sobre o amor. É divertido parar para ver hahahha

Bom, eu escrevo sobre isso, nas crônicas ou nos contos, a presença ou falta dele é o que molda minha escrita. Às vezes posso ser direto demais, outras dou uma camuflada (bem rasa). Já tive todo tipo de conversa interna sobre o que isso faz de mim.

Bom, chega de enrolar.

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Aprendi desde pequeno que precisava encontrar minha outra metade. Alguém que me completasse, que tornasse a vida melhor. Aprendi desde pequeno que eu, por si só, não bastava. Que eu era incompleto.

A metade da laranja. A tampa para a panela. Alma gêmea. Cara metade. Só jeitinhos diferentes de mostrar que o amor só existiria se outra pessoa estivesse comigo. E que a existência do amor só significa tornar algo completo.

Amor não existe para aprimorar, só para completar. Não. Cresci e vi que isso não encaixa no que acredito e descobri sobre mim. Também vi que é conflitante quando dizem: “você tem que estar feliz sozinho para depois estar feliz com alguém.” Ou, ainda, bem mais pesado: “se nem você se aguenta, como espera que outra pessoa queira ficar contigo.”

Iludimos as crianças, esperamos que cresçam até uma certa idade para começar a desconstrução do que nós mesmos causamos. E é sempre na porrada. Cresce, moleque.

Não quero ir pelo caminho do felizes para sempre, porque assim não sairemos daqui nunca mais.

Não sou metade. Sou inteiro. Se for para ter alguém, que seja para somar. Que seja para possibilitar crescimento e amadurecimento. Entender os lugares escuros e explorar o que somos e aprendemos conforme apanhamos por causa das ilusões que tivemos. E a gente apanha muito, né. Haja cicatrizes.

Eu sou completo. Posso estar usado, remendado e machucado, porém, com todas essas cicatrizes e em pedaços colados, continuo sendo completo. Sozinho, junto o que tenho, encaixo as peças e torço para que, quem eu sou, tenha sobrevivido às tempestades que passaram.

Se aparecer alguém no depois, que seja para ajudar a fixar as peças através de um abraço. Ajudar a entender o que sobreviveu ao vento forte e a rir da bagunça que ficou. Afinal de contas, somos todos meio bagunçados. E a beleza está em ver o que cada um faz com a sua bagunça.

Beijos,
Luan Felipe.

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