Prioridades #4

Oi, meu nome é Luan.

É tão bizarra a quantidade de coisas que acontecem em pouco tempo. Essa é a newsletter #4 e não faço ideia por onde começar. Uma recapitulação fará bem e já é um início, né.

Vi que comecei essa newsletter do mesmo jeito que a anterior. Mais uma constatação de que a minha vida está uma loucura hahaha. Agosto terminou e fechei o mês com o canal novo nos 2.000 inscritos. São números, mas para algumas coisas eles são importantes. Arrasamos. Obrigado! Que venham os 10.000 e o primeiro piquenique que faremos para comemorar.

Andei abraçado com as crises de ansiedade, não consegui me livrar. Por sorte, a insônia me deixou de lado. O equilíbrio foi restaurado e a vida seguiu tão caótica quanto o normal.

Em agosto, aconteceu a Bienal do livro e TUDO FOI INTENSO! Obrigado pelos abraços que fizeram dessa intensidade algo importante e gostoso de viver.

No período de 15 dias até essa news, cai num loop de perguntas sobre prioridades. A introspecção faz a gente pensar na nossa relação com o mundo, como lidamos com as pessoas e como elas agem com a gente. É um terreno delicado e pesar os lados exige energia considerável para não tirar conclusões erradas.

É aquela analogia do pássaro e a gaiola. Deixe o pássaro solto, se gosta de você, ele voltará para ficar contigo. E isso reflete quais são as prioridades do pássaro. Se ele se importa, ele volta, né? Substitua pássaro por pessoa/amigo e gaiola por vida e temos uma analogia que faz mais sentido.

Isso bate no exato ponto da insegurança. Quantas vezes já pensei que deixaria de ser amigo só por não ter conversado um dia com a pessoa? Quantas vezes já questionei meu “posto de melhor amigo” por coisinhas pequenas? Por que é tão difícil me sentir como um pássaro?

Fiz uma analogia com sofá (não o teste) para a terapeuta e fez sentido na hora.

Tem um sofá de três ou mais lugares. Ele representa o espaço dentro de alguém. E você, como amigo, está sentado em um desses lugares. Chega um momento em que outra pessoa senta do seu lado, ela pode estar de passagem ou pode ser alguém do mesmo nível de amizade que você. E aquilo te incomoda. Você está confortável, aquele lugar sob teu bumbum te pertence e é suficiente. Porém, você quer o lugar da outra pessoa também. Quer esticar as pernas, ocupar todo o espaço, porque ter alguém dividindo o mesmo amigo faz com que você comece a questionar se o seu lugar no sofá não será trocado em algum momento. É aquela coisa, o sofá todo tem que ser só seu.

E isso é difícil equilibrar. Estar ciente do seu lugar no mundo e da importância que você tem na vida de alguém é o primeiro passo para não se deixar afetar pelas ilusões da insegurança. Caralho, como é difícil fazer isso. Respire fundo, se concentre. Amizades estáveis não serão diluídas por uma simples dança por lugares. Você tem o seu, dá para perceber o quão sem sentido é querer pegar tudo? É aquela coisa de querer abraçar o mundo só com dois braços e ficar arrasado por não ter conseguido pegar nada no final das contas.

E, como tudo tem dois lados, é frustrante notar que você deixou de ser prioridade na vida de alguém. E que o espaço dela no seu sofá está cada vez mais gelado e vazio. Deixar ir dói. A única coisa que dá pra fazer é torcer para ela voltar.

Essa newsletter está cheia de analogias, deixa eu parar por aqui.

Beijos,
Luan Felipe.

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